A Copa do Mundo nom é nossa

Volto por aqui aproveitando algo de tempo e coa ressaca mundialeira ainda aí fora (nom, o blog nom morreu, ainda que o pareça) e fago-o precisamente para tamém eu opinar sobre “o tema”. Resgatei do andel o “Naciones y nacionalismo desde 1780“, de Eric Hobsbawn, lembrava que algo falava do papel das seleções desportivas na construçom nacional e assi é. Nas páginas 151 a 153 da ediçom espanhola de 1992, o historiador salienta umha importante mudança após 1918: “A identificaçom nacional nesta era adquiriu novos meios de se expressar nas sociedades modernas urbanizadas, de alta tecnologia“, dous deles importantíssimos:

  1. Os meios de comunicaçom de massas, que “permitírom estandarizar, homogeneizar e transformar as ideologias populares, assi como, obviamente, que interesses privados e Estados as explotaram para fazer propaganda deliberada”
  2. O desporte, que “se transformou numha interminável sucessom de encontros de gladiadores protagonizados por pessoas e equipas que simbolizavam Estados-naçom, o qual fai hoje parte da vida mundial”. Foi no período de entre-guerras, de feito, quando nasceu a Copa do Mundo de futebol, que acaba de celebrar umha nova ediçom.

Nom gosto do futebol, tampouco creio que a gente que gosta del e celebra as vitórias da sua equipa/seleçom seja necessariamente estúpida, e som consciente da transcendência política e identitária que o desporte em geral (e algumhas disciplinas mais populares em concreto) tem. Nom querer ver isto tampouco soluciona nada.

Como nom gosto do futebol e nom som espanhol, o que a seleçom espanhola faga ou deixe de fazer importa-me bem pouco, mas como as implicações vam além do desportivo a cousa muda. Alegrei-me da vitória da seleçom espanhola de balom-cesto no Campionato do Mundo de 2006, como nom é o “desporte-rei” passou bastante desapercebida a cousa e os jogadores som boa gente. Mas o futebol é outra cousa, mais ainda se lhe engadimos o negócio que gera ao seu redor.

O nome de “La Roja”, usurpado a Chile, é um invento da cadeia de tv Cuatro co galho da Eurocopa 2008, ganhada por Espanha. Desconheço de onde saíu a paifocada agressiva do “A por ellos” da Copa do Mundo 2006, em 2008 a cousa mudou para “Podemos” (pagariam direitos de autor aos assessores de Obama?) da mão de Cuatro e coas tvs privadas donas dos direitos de retransmissom o bombardeamento mediático nom fijo mais do que medrar, favorecido aliás polas vitórias, claro.

Di o Xoán Hermida que nom devemos ver as massas que celebrárom a vitória espanhola como apenas “umha panda de fachas” e tem razom, tanto facha nom hai, nem muito menos, polo de agora. Contodo tampouco seria conveniente restar-lhe importáncia ao fenómeno. O patriotarismo desportivo espanhol nom nasceu onte, mas agora medra como a escuma sobre vitórias como nunca as houvo e cum aparelho mediático maior do que nunca, e fai-no ademais num contexto bem concreto: a normalizaçom do uso da bandeira (monárquica) espanhola (éxito da direita espanholista “sem complexos” de Aznar), o crescimento do espanholismo mais homogeneizador e excluínte (e da direita espanhola mais ráncia) e a crise sistémica. E ainda menos mal que estám aí outros aspectos que aportam certo alívio: nom é a direita espanholista a que governa, a seleçom nom conta com super-estrelas ególatras, está inçada de catalães e jogadores do Barça e o selecionador nom é um “gañán” nem um super-machote.

Nom é casual a teima dos média por amosar como se torcia pola seleçom espanhola em Catalunha, País Basco e Galiza, nem é casual a presença esmagadora do mundial nos média (perseguiçom da dissidência incluída), como tampouco som de estranhar alguns incidentes isolados que de ser ao revés estariam entre as novas salientadas do dia, nem é normal que o berro de celebraçom seja “yo soy español”. O nacionalismo espanhol podia ser doutra forma mais nom o é, decidiu ser homogeneizador e decidiu fixar como inimigo aos nacionalismos periféricos, assi que nom hai explosom patrioteira espanhola sem “agarimoso recordo” para quem sendo cidadãos do Reino de Espanha nom nos identificamos coa sua naçom.

Ainda que nom todo está perdido e a vida dá muitas voltas é evidente que o nacionalismo espanhol avança e quando menos o galego, co pouca cousa que é, já viviu tempos bastante melhores. Talvez som pesimista de mais, mas a construçom nacional de Galiza pinta mal. O nacionalismo galego partidário, em qualquera das suas expressões  é deprimente, e o social com vida própria é  mui fraco e anda aos tombos. Confrontar-nos cos média, o Estado e  a nossa própria cidadania por causa da seleçom espanhola seria um erro, nom vai ser no campo do patriotarismo desportivo onde se construa Galiza e o último que necessitamos é converter-nos nos rosmões e “aguafiestas” periféricos (e marginais). Espanha que celebre o que quera, tem razões de sobra para o fazer, mas sem asobalhar e cum bocado de respeito por quem nom compartimos celebraçom, que tamém temos direito e mesmo nos alegramos por eles.

Se hai um nacionalismo que paga a pena é aquel que convida a construir umha naçom para conviver (nela e com outras nações), para avançarmos na conquista de liberdades, para podermos viver nela com dignidade e em paz, mantendo viva a nossa língua e cultura sem esmagar as dos demais nem nos fechar nelas. Pode resultar menos espetacular e explosivo, pero com certeza é mais desejável. Estamos a isso?

2 Comments to A Copa do Mundo nom é nossa

  1. xanduro di:

    benvido de volta!

  2. […] A Copa do Mundo nom é nossa voxlupi.blogaliza.org/2010/07/15/a-copa-do-mundo-nom-e-nossa/  por Socram hai 1 segundos […]