O espírito das tormentas
Disque quando eu nom tinha mais do que uns poucos anos baixavam até a aldeia. Lembro, sendo neno, a meu avó a contar que atopara a cama dumha fémia com crias. Devérom ser os últimos na zona: demasiado cemento, demasiado asfalto, demasiados eucaliptos, demasiado medo, demasiado ódio.
Sempre dixérom que Paris levava o seu sangue: passava o dia atado ao canastro e a noite ceive para guardar a casa. Mudava o pêlo como nunca vim a nengum outro cam, era imponente, todo o mundo o respeitava. Foi o mais semelhante a um lobo que tivem diante, aqueles do Zoo de Madrid nom contam, pobrinhos.
Animal totémico, mítico, admirado e odiado, encarnaçom do mal, image de liberdade, identificado como inimigo, cobiçado trofeio de caça… Tenho a esperança de poder olhar e sentir ouvear algum dia um lobo. Mentres isto nom sucede conformo-me com documentários como o que, por fim, atopei hoje na rede.
Soubem del por um telejornal hai anos (é de 2003), mas nem o puidem ver as poucas vezes que o passárom pola televisom nem o atopei à venda em DVD. A espera pagou a pena.