ouveios e outras vozes

21 febreiro 2008

Kosova

Publicada en: nacionalismos, paz por signatus ás 19:39

Já hai bem tempo daquela plataforma e mobilizaçons. Perante os acontecimentos, mais umha vez, no território que ocupara Jugoslávia. Desta vez era Kosova e existia umha ameaça de bombardeamentos por parte dos EUA. Escrevo de memória, nom tenho gana de procurar os papéis daqueles dias que tenho nalgures guardados. A esquerda rompera, tamém a nacionalista.

Houvo, naquela altura, quem viu em Milosevic ao último resistente comunista perante o imperialismo ianque. Aí estavam a UPG, a FPG e o PCE, firmes na defesa do ultra-nacionalista sérvio. Havia tamém, como nom, quem defendia a intervençom da OTAN (PP, PSOE, nom sei se algum outro). Estavamos, por fim, os demais (antimilitaristas, ecologistas e umha parte do independentismo e a esquerda nacionalista) que tiramos por outra via: “Nem OTAN Nem Milosevic, Autodeterminaçom para Kosova”, insistiamos.

A tensom fora mui alta. Agora que Kosova vem de declarar a sua independência, poucas vozes se sentem a lembrar aquel enfrentamento nosso, paralelo aos acontecimentos nos Balcáns: a repressom sérvia, o movimento de desobediência civil encabeçado polo finado Ibrahim Rugova e a Liga Democrática de Kosova, a progressiva perda de protagonismo desta frente à UÇK, guerrilha da que fazia parte o actual presidente kosovar… e a intervençom militar da OTAN.

Hoje segue a haver quem nega que Kosova seja umha naçom ou tenha direito à autodeterminaçom, tamém na esquerda, curiosamente Francisco Rodríguez si apoia agora (voltas que dá a vida…) umha declaraçom de independência tam unilateral como, por exemplo, a de Rússia frente à URSS, que todo hai que lembrá-lo.

Que a independência de Kosova seja apoiada polos EUA nom deveria condicionar o apoio ou nom a esta. O direito de autodeterminaçom, que neste caso nom está realmente a ser reconhecido nem exercido, como bem analisa Carlos Taibo, parece condenado a ser defendido ou rejeitado sempre em funçom nom da vontade cidadá das naçons que o deveriam exercer, senom em virtude de interesses ligados a alianças históricas, geoestratégia e política interna.

Ao final caímos tod@s na realpolitik?

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