ouveios e outras vozes

13 outubro 2007

Al Gore: Umha postura cómoda

Publicada en: ecologismo por signatus ás 14:22

O Prémio Nobel da Paz foi este ano compartilhado. Al Gore e o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Cámbio Climático) fôrom os laureados nesta ocasiom, mas o protagonismo recaiu numha das partes, a mais mediática, como era de esperar. Que o Nobel da Paz reconheça o trabalho de investigaçom, denúncia e sensibilizaçom sobre as causas e conseqüências do Cámbio Climático é mui importante e nom deve ser valorizado doutro modo que mui positivamente. Celebrei-no olhando Umha verdade incómoda, mas fiquei cumha sensaçom contraditória.

O filme do Gore está bem, é umha boa ferramenta para explicar o Cámbio Climático, mas nom pudem evitar sentir certa decepçom. Para além dum discurso mui dirigido cara a cidadania estadounidense e, já que logo, inçado de momentos patrioteiros ao mais puro e aborrecível estilo ianque, pareceu-me que o ex vice- presidente dos EUA adoptou umha postura cómoda. Explico-me:

  • No filme aborda-se o feito de que nom tod@s contribuímos por igual ao Cámbio Climático, mas mui por riba;

  • Trata-se tamém o feito de que nom tod@s padecemos/padeceremos por igual as suas conseqüências, mas mais por riba ainda;

  • Nom se ponhem em relaçom estes dous pontos, e isto é grave;

  • E o pior de todo: fai-se ver que é um asunto de cámbio de políticas e de hábitos pessoais.

E explico tamém esta última afirmaçom:

  • Claro que cumpre mudar as políticas! Mas nom se pode pretender fazer que as políticas públicas dependem única e exclussivamente da vontade d@s governantes. Al Gore detém-se a explicar todos os esforços dos que fijo parte para mudar políticas relacionadas co ambiente, descrebe a negaçom de muit@s governantes a querer ver/escuitar, e mesmo deixa ver que a pesar dalguns cámbios a situaçom nom deixa de empiorar… Mas em nengum momento passa a analisar o porqué disto. A procura da orige desta resistência ao cámbio nom vai além das “velhas formas de pensar” e, mui por riba, das pressons do lobby petroleiro.

  • Claro que cumpre mudar hábitos pessoais! Mas nom se trata unicamente de “reciclar”, usar lámpadas e electrodomésticos de baixo consumo, mercar automóveis híbridos e demais soluçons tecnológicas.

Qual é o problema co discurso de Al Gore? Por que me decepciona? Porque anúncia umha verdade incómoda adoptando umha postura mui cómoda. Porque se instala num discurso ambientalista e nom vai à raíz do problema. Porque nom tem valor abondo para explicar que nom todo o mundo pode viver igual que a minoria global privilegiada encabeçada polo seu país. Porque nom se atreve a saltar ao ecologismo, nom é quem de pôr em causa o industrialismo, nom é quem de explicar que cumprem cámbios estruturais urgentes.

E que passa quando queres luitar contra o Cámbio Climático desde o ambientalismo e o tecnoestusiasmo? Que apostas por “alternativas” como os “biocombustíveis”, as contas nom saem, e começas a causar rejeitamento ecologista.

Bem-vido seja um Prémio Nóbel da Paz á luita contra o Cámbio Climático, mas nom nos equivoquemos, posturas como as de Al Gore nom servem para construír a paz, para isto cumpre combinar sustentabilidade ecológica e justiza social, e isto implica promover cámbios estruturais.

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