ouveios e outras vozes

17 setembro 2007

Talvez emigrar

Publicada en: as minhas cousas por signatus ás 21:43

Como tantas pessoas neste país, experimentei desde mui cedo a influência da figura de Castelao, de obras como o álbum “Nós”, no que se recolhia aquel desenho dumha massa de emigrantes acompanhado do texto “En Galiza non se pide nada. Emígrase”. Prometim-me hai muitos anos nom emigrar, ficar em Galiza e fazer o que na minha mao estivesse para mudar esta terra. Assi foi, mas nom sei por quanto mais tempo resistirei.

Passárom dias abondo como para considerar que a última oferta de trabalho para a que enviei o currículum vitae tampouco vai ser para mim. De novo umha dessas escasas oportunidades que semelham quadrar à perfeiçom coa minha formaçom e experiência, de novo nem me chamar para umha entrevista.

Vam já anos de precariedade e inestabilidade laboral, de continuar a melhorar a minha formaçom e de contribuír, na medida das minhas possibilidades, para transformar o meu país e o mundo. Vai já demasiado tempo sem trabalho remunerado, nunca fora tanto. Qual é o problema? Falta de formaçom? Excesso de formaçom? Formaçom extravagante? De todo um pouco?

Se sigo aqui é por teimosia e porque sempre hai cousas que te atam à terra. Nom é a primeira vez que lhe dou ao país umha (pen)última oportunidade, e assi fum resistindo até o de agora, mas já é excessivo, som demasiados meses. Ainda tenho aí umha possibilidade sem confirmar, de se frustrar tamém terei que valorar mui seriamente procurar o pam na emigraçom. Quem me conhece sabe que se algo tenho é paciência, mas por grande que esta seja tamém tem um límite.

Hai pouco mais dum mês, La Voz de Galicia publicava no suplemento “Mercados” umha reportage sobre a emigraçom galega dos nossos tempos: universitária, qualificada, com experiência… de luxo. Galiza perdeu/expulsou nos últimos 5 anos o 12% da sua populaçom nova, seica.

Discutia-se onte e hoje em Chuza! sobre emprego e emigraçom cum artigo de Suso de Toro como excusa. Segundo o escritor, o problema é que em Galiza nos formamos para emigrar e nom temos o espírito emprendedor com consciência de país que nos permitiria “gerar riqueza” na nossa terra. Tamém sobre língua, emprego e emigraçom escrevia em Vieiros a finais do mês pasado um desses expulsos de luxo. A sua narraçom desmonta, ao meu ver, os argumentos do colunista de El País.

O liberalismo económico culpou e culpa aos empobrecidos da sua situaçom. Sempre é possível atopar algum elemento para responsabilizar a um indivíduo ou colectivo da sua situaçom laboral/económica, tamém no meu caso: quiçá figem umha má escolha coa minha formaçom, quiçá nom tenho o espírito e engenho emprendedor necessários, quiçá deveria deixar-me de tanta ética e tanto escrupo e asumir que o mundo é como é, quiçá devim ter emigrado hai já tempo…

Dirigir este tipo de argumentos a pessoas e países empobrecidas/com problemas de desemprego sempre me pareceu injusto e mesmo cruel. Nom é qüestom tampouco de caír na auto-lamentaçom e o derrotismo, mas nom todo depende da vontade individual ou colectiva, explica-o mui bem José Manuel Naredo: a nossa condiçom periférica (ainda que dentro dum dos centros globais) tem muito a ver co feito de que perdamos populaçom em favor de centros como Barcelona/Catalunha ou Londres/Reino Unido.

Ninguém emigra por gosto, nem as massas das periferias globais que fogem dos seus países e tentam umha e outra vez aceder à nossa fortaleza, nem quem desde periferias como Galiza se vem na obriga de marchar a outros lugares na procura dum emprego digno e acorde coa sua formaçom. Se nom hai mais remédio eu tamém o farei.

3 comentarios »

  1. Sorte nesta andaina pola blogaliza :D

    Comentario por Odemo — 19 setembro 2007 ás 12:14

  2. Graças! ;-)

    Comentario por signatus — 19 setembro 2007 ás 17:11

  3. [...] Nom é nada habitual, mas precipitei-me. Fora do praço estabelecido, chamárom. Fum à entrevista. Superei a prova. Fico na terra, quando menos polo de agora. Desemprego: até mais ver. [...]

    Pingback por ouveios e outras vozes » Finalmente ficar — 26 setembro 2007 ás 16:27

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